
Ao longo desta série, exploramos como os conceitos de persona, identificação e relações inconscientes — fundamentais na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung — se manifestam no ambiente organizacional moderno.
Nos textos anteriores, investigamos o modo como a máscara social (persona), necessária para a adaptação, pode, quando supervalorizada, afastar o indivíduo de sua individualidade e gerar sofrimento psíquico.
O objetivo deste trabalho
O objetivo desta série foi traduzir conceitos teóricos do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em reflexões acessíveis, conectando a teoria junguiana às realidades cotidianas do mundo corporativo.
Ao compreender que a empresa é também um sistema vivo de relações psíquicas, percebemos que o sofrimento de um indivíduo pode reverberar sobre todo o grupo — um fenômeno que Jung descreve como a influência mútua entre consciente e inconsciente coletivo.
De acordo com Jung (2008) e Neumann (2017), o desenvolvimento da consciência e da individualidade requer a integração das partes reprimidas da psique.
No contexto do trabalho, isso significa reconhecer que liderar e ser liderado envolve não apenas técnica e desempenho, mas também emoção, projeção e transferência.
Como afirmou Jung:
“Ninguém se ilumina imaginando figuras de luz, mas tornando consciente a escuridão.”
Promover ambientes de trabalho saudáveis implica, portanto, um movimento duplo:
- Autoconhecimento — o reconhecimento dos próprios limites, sombras e desejos inconscientes.
- Relações conscientes — o cultivo de vínculos empáticos, dialógicos e humanizados nas organizações.
Em um mundo regido por resultados e produtividade, este estudo — e a série que dele nasceu — busca resgatar o valor do humano no trabalho.
Reconhecer a persona como ferramenta de adaptação, sem permitir que ela substitua o ser, é o primeiro passo para transformar o ambiente corporativo em um espaço de crescimento psíquico e coletivo.
