
🧩 Introdução
A identificação com a persona, conceito central da psicologia analítica de Jung, pode impactar profundamente a saúde psíquica no trabalho. Neste contexto, a busca por desempenho e reconhecimento pode levar à sobreposição entre o papel profissional e a identidade pessoal. Esse fenômeno é compreendido pela Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung através do conceito de persona, a máscara social que utilizamos para nos adaptar às expectativas do meio.
Quando o indivíduo se identifica excessivamente com essa máscara — como no caso do gestor que incorpora integralmente o papel de líder — ocorre uma dissociação entre o “eu” e a individualidade verdadeira, comprometendo a saúde psíquica e a autenticidade nas relações.
🔍 A Persona e a Adaptação Social
Segundo Jung (2008), a persona é um complexo funcional que possibilita a relação do sujeito com o mundo, representando o modo como ele deseja ser visto e reconhecido. Essa estrutura psíquica é necessária para a convivência social, pois organiza o comportamento de acordo com padrões e expectativas coletivas.
No entanto, quando a persona domina o ego, o indivíduo corre o risco de viver apenas pelo olhar do outro, tornando-se prisioneiro da imagem social que construiu. No ambiente corporativo, isso se manifesta na rigidez de papéis, na dificuldade de reconhecer vulnerabilidades e na tendência a priorizar o desempenho sobre a Saúde psíquica.
⚖️ A Dissociação e o Sofrimento Psíquico
Quando o indivíduo reprime partes de si para sustentar a imagem exigida pela persona, surgem sintomas psíquicos e físicos. Gestores e colaboradores que se identificam fortemente com suas personas tendem a apresentar sintomas como ansiedade, esgotamento e sensação de vazio. A desconexão entre o papel social e o self impede a expressão espontânea da individualidade.
Essa fragmentação pode resultar em comportamentos compensatórios como controle excessivo, necessidade constante de validação ou alienação emocional, contaminando o ambiente de trabalho e influenciando inconscientemente toda a equipe e afetando a saúde psíquica e todos.
🌱 Caminhos para o Autoconhecimento
Reconhecer a persona não significa rejeitá-la, mas equilibrá-la. O autoconhecimento e o processo de individuação, proposto por Jung, permitem que o sujeito compreenda os limites de sua adaptação social e reencontre sentido no próprio fazer.
No ambiente corporativo, essa consciência pode favorecer relações mais humanas, líderes mais empáticos e equipes mais coesas.
🧭 Conclusão
Reconhecer a influência da persona e promover o autoconhecimento é essencial para restaurar o equilíbrio entre o papel social e a individualidade. A persona é necessária, mas não pode substituir a individualidade. Quando equilibramos o papel social com a autenticidade interior, o trabalho deixa de ser um palco de sofrimento psíquico e torna-se um espaço de crescimento, saúde psíquica e realização.
💡 Leitura complementar:
Para se aprofundar nesse tema, veja o artigo do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP) e as publicações da Associação Junguiana do Brasil (AJB).
Essa publicação integra a série Psicologia Analítica no Trabalho, inspirada em meu TCC.
Leia na integra: Aqui
