
🧠 Introdução
Transferência no ambiente corporativo: Nem sempre lidamos apenas com tarefas e metas — lidamos também com emoções e projeções inconscientes.
Gestores e colaboradores participam constantemente de trocas simbólicas que influenciam o clima organizacional, o desempenho e, sobretudo, a saúde mental.
É nesse campo invisível das relações que atuam dois conceitos fundamentais da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung: transferência e contratransferência.
🔹 O que é Transferência?
A transferência acontece quando o colaborador projeta no gestor sentimentos, expectativas e conflitos não resolvidos, geralmente originados em experiências passadas.
Essas projeções moldam a forma como o indivíduo percebe figuras de autoridade e se relaciona com elas.
Por exemplo, o líder pode ser visto como uma figura paterna — seja protetora, seja punitiva — repetindo padrões afetivos internalizados desde a infância.
Jung explica que essas imagens parentais, chamadas de imagos, são registros carregados de afeto e energia psíquica que permanecem ativos no inconsciente.
Essas forças inconscientes tendem a se manifestar nas relações de trabalho, influenciando vínculos e comportamentos de maneira sutil, porém poderosa.
🔹 O que é Contratransferência?
A contratransferência é a resposta emocional do gestor diante dessas projeções.
Quando o líder não reconhece essas influências, pode reagir de forma defensiva, rígida ou autoritária, perpetuando ciclos de tensão e sofrimento psíquico dentro da equipe.
De forma simbólica, o gestor passa a representar a figura de “pai” ou “mãe” no ambiente de trabalho.
Quando essa identificação com o papel se torna inconsciente, o líder confunde função com identidade, fortalecendo a persona profissional em detrimento da individualidade.
🔹 O Impacto Psíquico nas Relações de Trabalho
Essas projeções mútuas, quando não reconhecidas, transformam o ambiente corporativo em um palco de repetição simbólica de conflitos emocionais.
O resultado pode ser um clima organizacional marcado por tensões, estresse e adoecimento psíquico.
Por outro lado, quando o gestor desenvolve autoconhecimento e consciência emocional, a transferência e a contratransferência podem se tornar instrumentos de crescimento.
Compreender essas dinâmicas favorece vínculos mais autênticos, empatia e uma liderança mais equilibrada.
💬 Conclusão
O reconhecimento das projeções inconscientes permite que o trabalho deixe de ser apenas um espaço de cobrança e produtividade, tornando-se um ambiente de reflexão, escuta e desenvolvimento humano.
👉 No próximo artigo da série, vamos falar sobre as relações interpessoais no ambiente de trabalho e como elas podem favorecer tanto a saúde quanto o adoecimento emocional dos indivíduos.
Leitura complementar:
Para se aprofundar nesse tema, veja o artigo do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP) e as publicações da Associação Junguiana do Brasil (AJB).
Essa publicação integra a série Psicologia Analítica no Trabalho, inspirada em meu TCC.
Leia na integra: Aqui
